
A porta seguinte dava acesso a um belo escritório, com uma secretária e uma escrivaninha. Também tinha quadros na parede.
Foi por estes quadros que o jovem começou a sua observação.
Tratava-se de retratos. O primeiro deles era o de um rapaz, bastante mais jovem do que a mulher do quadro anterior, mas, por coincidência ou não, os anos das suas mortes eram iguais.
O quadro seguinte representava não uma pessoa, mas cinco. Este retrato de família — que incluía a bela mulher e o jovem — também indicava os nomes das pessoas e a sua data de nascimento e morte. Todos haviam morrido no mesmo ano!
O visitante dirigiu-se, então, à escrivaninha e abriu a primeira gaveta onde encontrou vários recortes de jornais, todos da mesma semana do mesmo fatídico ano de que datava a morte daquelas pessoas.
Os jornais relatavam, embora sem grandes pormenores, um terrível crime em que uma família de cinco pessoas fora cruelmente assassinada.
Reparou, então, que os cortinados brancos do escritório ondulavam ao vento. O rapaz dirigiu-se à janela, mas, para seu espanto, constatou que esta estava completamente fechada. Também os cortinados já não se mexiam. Sentiu um grande desconforto no peito. Lembrou-se do vulto que imaginara ver. Também agora teria tido uma alucinação?
Sabia que já havia ido longe demais para fugir. Teria de continuar até perceber o que se estava a passar naquela casa, e entrou no quarto seguinte.
por David e Daniel, Vera Marreiros

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