
Após ter cruzado o portão, este fechou-se bruscamente e o rapaz, assustado, continuou a caminhar em direcção à porta do velho casarão.
Era uma porta grande, de madeira pintada num verde velho que, à semelhança do resto do lúgubre edifício, parecia já ter conhecido melhores dias. Estava apenas encostada e, ao empurrá-la, abriu-se com um gemido.
O rapaz entrou e chamou por alguém, mas não teve resposta. Apenas o eco da sua voz. Aparentemente a casa estava deserta e abandonada. Mas então quem é que lhe abrira o portão?
O interior estava escuro — uma escuridão densa como o mais puro carvão — e não se via o nariz à frente dos olhos. O jovem acendeu o isqueiro que trazia consigo: a pequena chama amarelada juntou-se à luz dos relâmpagos e pode assim olhar em volta.
Ficou fascinado com a decoração simples mas elegante da casa. Havia um velho piano de cauda e quadros com retratos de pessoas que, certamente, já estariam mortas há muito tempo. Por todo o lado as teias de aranha cobriam os móveis escuros e ele não conseguiu evitar o sobressalto provocado pela surpresa de ver uma ratazana atravessar a sala, acabando por desaparecer num buraco da parede.
Subitamente, pareceu-lhe ouvir passos vindos do andar de cima e sentiu um medo profundo que o imobilizou completamente por alguns segundos. Quando recuperou o sangue frio hesitou sobre o que fazer. Sentia-se apreensivo com aquele cenário desolador e sentia estar, de alguma forma, a invadir um espaço que talvez devesse continuar abandonado. Mas por outro lado, sentia uma grande curiosidade sobre aquela velha casa e sobre o seu eventual habitante. Também a violenta tempestade, lá fora, parecia querer convencê-lo a ficar... e assim decidiu-se a, pelo menos, esperar mais um pouco antes de voltar a enfrentar o terrível temporal!
por Andreia, Marieli, Mykyta, Ana Almeida

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