
Era de noite.
Uma brisa no pescoço arrepiava o corpo todo.
Numa rua larga e escura de Lagos um rapaz passava precipitadamente, fazendo um leve eco com os seus passos na calçada.
Era um jovem bem parecido, com uns olhos negros como a noite mas vazios como a escuridão.
Parou para acender um cigarro. O som do isqueiro ressoava por toda a ruela e a pequena chama projectava sombras irrequietas nas paredes das casas.
Enquanto fumava o seu cigarro começou a chover violentamente. Olhou em volta à procura de abrigo contra a tempestade e reparou num casarão de portão avermelhado e ferrugento que chiava ao passar do vento e da chuva.
Aproximou-se e espreitou. A casa era sinistra e misteriosa.
Hesitando um pouco tocou à campainha. Ouviu-se um som grave e alto como se estivesse a chamar alguém bem longe.
O portão abriu-se sozinho.
O rapaz, molhado, entrou com curiosidade e receio.
por Marta Fontoura

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