quarta-feira, 17 de junho de 2009

Capítulo V

Assim que abriu a porta assustou-se com o seu reflexo num grande espelho, pousado em cima de uma cómoda cheia de pó.
Refeito do susto, olhou em volta: exceptuando o móvel, o quarto estava completamente vazio. No entanto, olhando com mais atenção, pode ver que em cima da cómoda estava uma pequena caixa. Aproximou-se e abriu-a.
Era uma caixa de música, com uma pequena bailarina rodopiando ao som de uma música lenta e triste.
Pendurada no bracinho da bailarina estava uma aliança. O rapaz pegou no anel e pôde ler, gravado no interior: “Para sempre, Ana Lúcia”. Este era o nome da bela mulher que vira retratada no primeiro quarto.
Era uma caixa de música, com uma pequena bailarina rodopiando ao som de uma música lenta e triste.
Reparou, então, que por baixo da caixa de música estavam um pequeno molho de cartas, atadas com uma fita azul. Disposto a perceber melhor aquela estranha história, guardou-as no bolso para as ler mais tarde.
Nessa altura, um pressentimento fê-lo levantar os olhos para o espelho onde observou, atrás da sua própria imagem, o reflexo de uma criança que chorava. Sobressaltado virou-se para trás, mas, inexplicavelmente, não estava nenhuma criança no quarto. Voltou a olhar para o espelho e a imagem tinha desaparecido...

por Marta e Sara, Mariana e Lana, Carina e Marieli

Capítulo IV


A porta seguinte dava acesso a um belo escritório, com uma secretária e uma escrivaninha. Também tinha quadros na parede.
Foi por estes quadros que o jovem começou a sua observação.
Tratava-se de retratos. O primeiro deles era o de um rapaz, bastante mais jovem do que a mulher do quadro anterior, mas, por coincidência ou não, os anos das suas mortes eram iguais.
O quadro seguinte representava não uma pessoa, mas cinco. Este retrato de família — que incluía a bela mulher e o jovem — também indicava os nomes das pessoas e a sua data de nascimento e morte. Todos haviam morrido no mesmo ano!
O visitante dirigiu-se, então, à escrivaninha e abriu a primeira gaveta onde encontrou vários recortes de jornais, todos da mesma semana do mesmo fatídico ano de que datava a morte daquelas pessoas.
Os jornais relatavam, embora sem grandes pormenores, um terrível crime em que uma família de cinco pessoas fora cruelmente assassinada.
Reparou, então, que os cortinados brancos do escritório ondulavam ao vento. O rapaz dirigiu-se à janela, mas, para seu espanto, constatou que esta estava completamente fechada. Também os cortinados já não se mexiam. Sentiu um grande desconforto no peito. Lembrou-se do vulto que imaginara ver. Também agora teria tido uma alucinação?
Sabia que já havia ido longe demais para fugir. Teria de continuar até perceber o que se estava a passar naquela casa, e entrou no quarto seguinte.

por David e Daniel, Vera Marreiros

Capítulo III

Uma súbita corrente de ar apagou-lhe o isqueiro. Por momentos ficou completamente mergulhado na escuridão e sentiu um calafrio percorrer-lhe o corpo. Voltou a acender o isqueiro e foi com alívio que encontrou, à sua frente, em cima de um aparador, um castiçal de prata com cinco velas que acendeu, conseguindo, assim, melhor iluminação.
Estremeceu ao voltar a ouvir passos no andar de cima. Tinha agora a certeza de que não fora a sua imaginação sugestionada a dar-lhe a ilusão de estar acompanhado e que, de facto, alguém habitava a casa.
Hesitou em subir as escadaria que começava no final da sala e que dava acesso ao andar de cima. Finalmente, encheu-se de coragem e avançou.
Os degraus de madeira estavam bastante degradados e pareciam frágeis. Aqui e ali estavam mesmo esburacados e cada passo que dava fazia a madeira ranger. Como se não bastasse, ouviu uma porta bater. Talvez tivesse sido o vento a entrar por uma janela aberta, provocando uma corrente-de-ar...
No cimo das escadas começava um corredor com várias portas de ambos os lados. Pareceu-lhe avistar no fundo do corredor um vulto: alguém pequeno, uma criança ou um anão. Mas essa ilusão depressa desapareceu como se tivesse evaporado no ar, e, mais uma vez, não conseguiu decidir se realmente vira alguém ou se fora uma fantasia, produto da sua imaginação...
Dirigiu-se à primeira das portas, que abriu, chiando. Entrou num velho quarto. A única mobília era uma cama de ferro, uma cadeira de baloiço e um tapete puído, carregado de poeira.
Numa parede, um esplêndido retrato a óleo chamou-lhe a atenção: era o retrato de uma mulher jovem e extremamente bela. Na moldura de madeira dourada, um pequeno cartão informava o nome da senhora e as datas do seu nascimento e morte. Esta havia sido bem recente: datava de há cinco anos atrás.
Assustou-se com o miar de um gato que, certamente, também escolhera o velho casarão para se abrigar da tempestade, e resolveu continuar a sua exploração entrando no quarto seguinte...

por Marieli, Marta, David e José.

Capítulo II


Após ter cruzado o portão, este fechou-se bruscamente e o rapaz, assustado, continuou a caminhar em direcção à porta do velho casarão.
Era uma porta grande, de madeira pintada num verde velho que, à semelhança do resto do lúgubre edifício, parecia já ter conhecido melhores dias. Estava apenas encostada e, ao empurrá-la, abriu-se com um gemido.
O rapaz entrou e chamou por alguém, mas não teve resposta. Apenas o eco da sua voz. Aparentemente a casa estava deserta e abandonada. Mas então quem é que lhe abrira o portão?
O interior estava escuro — uma escuridão densa como o mais puro carvão — e não se via o nariz à frente dos olhos. O jovem acendeu o isqueiro que trazia consigo: a pequena chama amarelada juntou-se à luz dos relâmpagos e pode assim olhar em volta.
Ficou fascinado com a decoração simples mas elegante da casa. Havia um velho piano de cauda e quadros com retratos de pessoas que, certamente, já estariam mortas há muito tempo. Por todo o lado as teias de aranha cobriam os móveis escuros e ele não conseguiu evitar o sobressalto provocado pela surpresa de ver uma ratazana atravessar a sala, acabando por desaparecer num buraco da parede.
Subitamente, pareceu-lhe ouvir passos vindos do andar de cima e sentiu um medo profundo que o imobilizou completamente por alguns segundos. Quando recuperou o sangue frio hesitou sobre o que fazer. Sentia-se apreensivo com aquele cenário desolador e sentia estar, de alguma forma, a invadir um espaço que talvez devesse continuar abandonado. Mas por outro lado, sentia uma grande curiosidade sobre aquela velha casa e sobre o seu eventual habitante. Também a violenta tempestade, lá fora, parecia querer convencê-lo a ficar... e assim decidiu-se a, pelo menos, esperar mais um pouco antes de voltar a enfrentar o terrível temporal!

por Andreia, Marieli, Mykyta, Ana Almeida

Capítulo I


Era de noite.
Uma brisa no pescoço arrepiava o corpo todo.
Numa rua larga e escura de Lagos um rapaz passava precipitadamente, fazendo um leve eco com os seus passos na calçada.
Era um jovem bem parecido, com uns olhos negros como a noite mas vazios como a escuridão.
Parou para acender um cigarro. O som do isqueiro ressoava por toda a ruela e a pequena chama projectava sombras irrequietas nas paredes das casas.
Enquanto fumava o seu cigarro começou a chover violentamente. Olhou em volta à procura de abrigo contra a tempestade e reparou num casarão de portão avermelhado e ferrugento que chiava ao passar do vento e da chuva.
Aproximou-se e espreitou. A casa era sinistra e misteriosa.
Hesitando um pouco tocou à campainha. Ouviu-se um som grave e alto como se estivesse a chamar alguém bem longe.
O portão abriu-se sozinho.
O rapaz, molhado, entrou com curiosidade e receio.

por Marta Fontoura

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Este é o blogue do 8ºE da escola EB 2,3 nº1 de Lagos!
Fizemo-lo nas aulas de Estudo Acompanhado para divulgar uma história que escrevemos ao longo do ano lectivo 2008/09.
Todas as semanas escrevíamos um capítulo (individualmente ou em grupo) e depois escolhíamos o que preferíamos para continuar a história. Por vezes era mesmo possível escolhemos mais do que um e juntá-los...

Para começar a história, combinámos escolher um início comum para toda a turma.
A história devia começar com uma pessoa a percorrer uma rua e entrar numa porta.
Podia ser um homem, mulher ou criança... a rua podia ser em Lagos, Lisboa ou Nova Iorque. Podia ser de noite ou de dia... A porta podia ser de um supermercado ou a porta de casa... em resumo: tudo era permitido! Apenas se exigia uma personagem a subir uma rua e entrar numa porta.

Esperamos que se divirtam com a nossa história, tanto quanto nos divertimos a escrevê-la!